Duração da fase de lances no pregão eletrônico

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O procedimento para encerramento da fase de lances dos pregões eletrônicos realizados segundo a regulamentação do Decreto nº 5.450/2005 está previsto no seu art. 24, §§ 6º e 7º.

O primeiro estabelece que a etapa de lances será encerrada por decisão do pregoeiro. O segundo determina que, por ato do pregoeiro, “o sistema eletrônico encaminhará aviso de fechamento iminente dos lances, após o que transcorrerá período de tempo de até trinta minutos, findo o qual será automaticamente encerrada a recepção de lances”.

Os dispositivos em comento indicam o período máximo do tempo randômico, o qual terá duração de 1 segundo até 30 minutos. Entretanto, não fixam o tempo mínimo de duração da fase de lances do pregão como um todo. Melhor explicando, não há previsão legal do tempo mínimo a ser observado entre a abertura da fase de lances e o aviso de fechamento iminente da fase de lances.

A omissão, ao que parece, não é despropositada. O regulamento, tudo indica, entregou ao pregoeiro o poder de discricionariamente encerrar a fase de lances no momento mais conveniente e oportuno para a Administração.

Essa discricionariedade, contudo, deve ser ponderada sob a luz do princípio da competitividade, inscrito no art. 3º, da Lei nº 8.666/93. É preciso lembrar que enquanto há disputa, subsiste a possibilidade de a Administração selecionar proposta com preços e condições mais vantajosas. Logo, não parece ser conveniente e oportuno encerrar a etapa de lances de um pregão enquanto há efetiva disputa entre os licitantes.

Em matéria publicada na Revista Zênite – Informativo de Licitações e Contratos (ILC) nº 140, out/2005, p. 890, seção “Perguntas e Respostas”, afirmou-se que “A omissão do regulamento [do Decreto nº 5.450/2005] no que tange à duração da fase de lances tem lógica, já que isso dependerá do andamento da disputa em cada pregão eletrônico…”.

Na mesma oportunidade, foi explicado que “enquanto a disputa estiver acirrada, será conveniente e oportuno que se mantenha aberta e fase de lances” e que “a rigor, o encerramento dessa fase terá lugar [apenas] quando os lances tornarem-se raros, não havendo mais disputa efetiva entre os licitantes”.

O Tribunal de Contas da União, por sua vez, já apontou a “alocação de tempo inferior a cinco minutos para a fase de lances” em um pregão eletrônico como irregular, e informou ao órgão controlado que “a concessão de tempo reduzido para a fase de lances nos pregões eletrônicos, bem como a execução do comando para encerramento da fase de lances enquanto as reduções de preços dos lances sejam significativas, (…) prejudica a obtenção da proposta mais vantajosa, caracterizando descumprimento do art. 3º da Lei 8.666/93” (Acórdão nº 1.188/2011 – Plenário, Rel. Min. Augusto Sherman Cavalcanti, j. em 11.05.2011).

Assim, é possível afirmar que a despeito da omissão do Decreto nº 5.450/2005, a fase de lances dos pregões eletrônicos deve perdurar enquanto existir efetiva disputa entre os licitantes. Seu encerramento precoce prejudica a busca pela melhor proposta para a Administração, afronta o princípio da competitividade, inscrito no art. 3º, da Lei de Licitações e pode, como se viu, ser alvo de apontamento por órgãos de controle.

Por fim, vale lembrar que outras especificidades sobre o julgamento das licitações processadas pela modalidade pregão serão abordadas no Seminário Nacional “TEMAS POLÊMICOS DE LICITAÇÕES E CONTRATOS E OS ENTENDIMENTOS DO TCU E DOS TRIBUNAIS SUPERIORES”, promovido pela Zênite, que será realizado em Brasília, entre os dias 24 e 26 de setembro de 2012.

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6 Comentários

Acredito que o procedimento poderia ser melhorado retirando do pregoeiro esta função de encerrar a fase de lances. Deveria se permitir aos fornecedores efetuarem lances até suas últimas propostas. O sistema poderia encerrar a fase de lance quando consultando todos os fornecedores constatar que nenhum mais quis registrar novo lance. http://www.pregoeiro.blog.br

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Olá Kléber,

Obrigado por participar do debate.
A sistemática adotada pelo Decreto nº 5.450/2005 para o encerramento da fase de lances, de fato, é passível de críticas.
Como bem pontua Joel de Menezes Niebuhr (Pregão presencial e eletrônico. 6. Ed. Belo Horizonte: Fórum, 2011. P. 335), “… poder-se-ia pensar noutra sistemática para a apresentação dos lances, em que a determinação do vencedor não estivesse atirada ao acaso…” gerado, muitas vezes, pelo sistema “misto” de encerramento eleito pelo legislador, no qual o pregoeiro aciona o comando de finalização, para que o sistema eletrônico gere automática e aleatoriamente o tempo randômico para fechamento da fase de lances.
Retirar do pregoeiro a função de determinar “o início do fim” da fase de lances, e deixar que o sistema eletrônico proceda ao encerramento daquela etapa, pode ser uma solução viável para a questão.
Entretanto, deixar de estabelecer previamente um tempo limite para a duração da fase de lances, vinculando esse ato à prévia consulta a todos os licitantes somada às suas respectivas respostas negativas pode, ao que nos parece, gerar um inconveniente.
É possível imaginar, por exemplo, um pregão com vários itens, no qual concorram diversos licitantes. Sem uma limitação temporal, esses particulares poderiam apresentar vagarosamente seus lances, durante várias horas.
A questão, como se vê, merece atenção e debate por parte dos agentes envolvidos no dia a dia das contratações públicas, de modo que a ordem jurídica seja capaz de se adaptar e resolver os problemas práticos observados cotidianamente.

Mais uma vez, obrigado pela colaboração.
Pedro Henrique Braz De Vita.

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Kleber, em que pese os debates havidos sobre o assunto, “retirando do pregoeiro esta função de encerrar a fase de lances”, conforme ventilada acima, acredita-se que em um pregão que estejam participando 90 empresas, não estando todas conectadas, fica dificíl aplicar a idéia. isso considerando a celeridade desse procedimento, Você não concorda?
Cida

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Obrigado por participar do debate Sr. Cida.
Sua observação é pertinente. De fato, a necessidade de colher a manifestação inequívoca de todos os licitantes no sentido de que eles não desejam mais realizar lances pode causar inconvenientes em certames com grande número de participantes.
Como se vê, a questão é problemática, e merece ser debatida.

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ROLDÃO BRAGA RIBEIRO disse: 9 de janeiro de 2015 às 17:43

SE CONTINUA O PREGOEIRO COM O PODER DE INTERVIR NO TEMPO FINAL DE LANCE CONTINUARÁ SENDO UM PRATO CHEIO PARA O FAVORECIMENTO DE ALGUMA EMPRESA E OUTRAS ENCOVINIENCIA. PORTANTO O ENCERRAMENTO FINAL TEM QUE SER PELO SISTEMA .

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Obrigada por manifestar sua opinião, prezado Roldão.

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