O que fazer diante de documento omisso/incompleto apresentado pelos licitantes?

Autor:

Categoria: Licitação

Tags: , , , , ,

Em respeito ao princípio da vinculação ao instrumento convocatório (arts. 3º e 41 da Lei nº 8.666/93), a regra é que os licitantes apresentem documentação capaz de refletir, desde logo, o atendimento das condições estabelecidas pela Administração no edital.

No entanto, tendo como finalidade privilegiar a competição mediante a manutenção na disputa de licitantes que tenham entregue documentação omissa/incompleta, a Lei de Licitações legitima a realização de diligências.

É o que estabelece o seu art. 43, § 3º, pelo qual é “facultada à Comissão ou autoridade superior, em qualquer fase da licitação, a promoção de diligência destinada a esclarecer ou a complementar a instrução do processo, vedada a inclusão posterior de documento ou informação que deveria constar originariamente da proposta.” (Destacamos.)

À luz desse dispositivo, caberá à Administração solicitar maiores informações a respeito do documento apresentado, quando este, por si só, não for suficiente para comprovar o atendimento das condições fixadas no edital.

Inclusive, nada obsta que, nesta etapa de diligência, sejam juntados outros documentos que esclareçam ou complementem as informações constantes daqueles apresentados originariamente pelo licitante.

Entender de forma diversa, no sentido de que a mera inclusão de documentos novos já caracteriza a hipótese vedada no § 3º do art. 43 da Lei, pode ensejar o esvaziamento dessa regra.

Isso porque, a ideia de esclarecimento e complementação envolve também a comprovação das informações adicionais mediante aposição de novos documentos.

Ao afastar a possibilidade de reunir novos documentos para fins de demonstrar a regularidade e a finalidade do documento originalmente apresentado, restringe-se injustificadamente as atividades inerentes às diligências.

Agora, é importante compreender que os documentos e as informações posteriores não podem corresponder a dados inéditos no certame. É preciso que se restrinjam a esclarecer e a complementar as informações que já foram apresentadas tempestivamente pelo licitante.

De todo modo, sabe-se que o exercício da atividade em comento (diligência) não é dos mais simples. Justamente por isso, é importante que a Administração avalie a solução a ser adotada caso a caso, ponderando sempre à luz dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da finalidade.

VN:F [1.9.22_1171]
Avaliação: 4.8/5 (5 votos)

Deixe o seu comentário!

Ao enviar, concordo com os termos de uso do Blog da Zênite.

20 Comentários

Luiz Carlos Cuaio disse: 13 de maio de 2013 às 14:05

Dra. Manuela, qual é a sua opinião sobre a constatação, em sessão pública de abertura de envelopes, da falta de assinatura do representante legal da licitante em documento para habilitação ou mesmo na proposta comercial, frente ao princípio da vinculação ao instrumento convocatório?

Obrigado pela atenção!

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 2 votos
 

Prezada Manuela,
Veja se pode me ajudar na seguinte situação: No contrato social da empresa “Fulano de tal Ltda”, estabelecida no Brasil e com CNPJ regular, consta que uma empresa estrangeira detém 80% das quotas de participação. Sendo assim, posso participar deste pregão eletrônico com a empresa brasileira (Fulano de Tal Ltda) e apresentar os atestados de capacidade técnica da empresa estrangeira (que não funciona no país), mas que detém 80% da empresa brasileira?
Obrigado, Ederson

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
-1 1 voto
 

Drª Manuela, complementando a questão do colega Luiz Carlos, seria possível prever cláusula no edital vedando a assinatura de documentos após a abertura dos envelopes?

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezado sr. Luiz Carlos,

Acredito que, estando o representante legal do licitante presente na sessão pública, seria excesso de formalismo promover a inabilitação sem antes conceder a oportunidade para a aposição das assinaturas nos documentos. Assim, constatando-se a ausência de assinaturas do representante legal em determinados documentos (sejam de habilitação ou de proposta) e este se encontra na sessão pública, parece-me que a conduta mais adequada é permitir o suprimento de tais falhas. Com isso, afasta-se o excesso de formalismo nas decisões e ampliam-se as chances de obtenção de propostas mais vantajosas mediante a manutenção de outro licitante na disputa.

Cordialmente,

Manuela.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
+2 4 votos
 

Prezado sr. Humberto,

A tendência atual da doutrina, da legislação e da doutrina tem apontado pela necessidade de amenizar o rigor formal quando da análise de documentos, de modo a admitir o saneamento de falhas que não comprometam o conteúdo do documento.
Considerando isso e a finalidade buscada com a licitação, pode não parecer razoável e pertinente a vedação no edital, desde logo, acerca do saneamento de falhas formais, tal como a ausência de assinatura em documentos por parte do representante legal da empresa.
Inclusive, é importante avaliar a legislação aplicável no seu âmbito de atuação, tendo em vista inúmeros diplomas normativos estabelecerem a possibilidade de saneamento.

Cordialmente,

Manuela.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezado sr. Ederson,

As exigências de qualificação técnica têm como finalidade aferir a experiência anterior da pessoa que participará do certame. É uma garantia para a Administração de que os licitantes já executaram objeto similar àquele licitado e, por isso, detêm condições de executá-lo no futuro.
Sendo assim, os atestados apresentados por determinada empresa não podem se referir à experiência de outra pessoa jurídica sob o fundamento de que esta compõe o quadro societário daquela.
Por haver independência entre as personalidades jurídicas dos sócios e das respectivas empresas, não parece possível o aproveitamento do atestado nos moldes indicados.

Atenciosamente,

Manuela.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezada Manuela,

Restando dúvida quanto ao conteúdo de atestado de capacidade técnica apresentado por uma empresa, realiza-se diligência. A empresa ao invês de sanear as dúvidas existentes (por meio de outros documentos, ou não), apresenta um outro atestado de capacidade técnica, e neste, as exigências do Edital são atendidas. Pergunto: devemos considerar este novo atestado como inclusão de novo documento e então recusar a proposta da empresa?

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezado sr. Renato,

A legitimidade da diligência realizada está diretamente relacionada à finalidade buscada, qual seja: esclarecer ou complementar informações inicialmente apresentadas. Se o atestado apresentado originariamente não era suficiente para demonstar a qualificação técnica do licitante, não parece possível que, por meio de diligência, seja apresentado novo atestado. Tenho para mim que esta conduta seria passível de questionamentos e apontamentos, em vista da afronta ao § 3º do art. 43, que veda a inclusão de documento novo, totalmente desvinculado daquele inicialmente juntado pelo licitante.

Atenciosamente,

Manuela.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Boa Tarde Dra. Manuela,

Gostaria de saber se a emprea fica vinculada à marca/modelo informada por ocasião da inclusão da proposta no sistema Comprasnet. Exemplo prático: a empresa cadastra um modelo no sistema, que não atenderia as especificações técnicas (fato este que só pode ser comprovado depois) e quando na remessa de sua proposta, ela encaminha um modelo que atende as especificações. O que fazer? Existe jurisprudência do TCU sobre o assunto?

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 
Rodrigo Pacheco disse: 18 de outubro de 2013 às 8:56

Bom dia.
Estou participando de um pregão eletrônico onde encontro os seguintes problemas:
Fiquei em 3º lugar na maioria dos itens, porém os 2 primeiros licitantes não cumpriram com o exigido em Edital para cadastramento de propostas em formulário eletrônico no COMPRASNET, deixando de informar por exemplo (Modelo, validade da proposta, validade do produto, no mínimo 6 meses e Garantia do produto, no mínimo 6 meses) tudo isso encontra-se no Edital de maneira clara. Pois bem, peticionei ao Órgão com base no não cumprimento do Edital e citando os princípios da Vinculação ao instrumento convocatório, julgamento objetivo e legalidade , solicitando a desclassificação das propostas em desconformidade. O Órgão encaminhou minha petição juntamente com suas idéias a CJU/MG e a mesma emitiu um parecer contrário dizendo que não é razoável eliminar empresas por mero e excessivo rigor. Ou seja, me sinto prejudicado uma vez que não houve igualdade de condições para participação no referido pregão. Basicamente é isso, gostaria de saber o posicionamento dos(as) Ilustríssimos(as) Doutores desta página que é uma referência para quem atua com licitações públicas. Desde já agradeço, Atenciosamente.

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezado Renato,

A regra é que os licitantes estão vinculados às propostas escritas apresentadas, não podendo mais alterá-las, a partir da abertura da sessão do pregão eletrônico. A proposta escrita, enviada posteriormente pelo vencedor deve expressar exatamente aquilo que foi cadastrado no sistema, pois é com base nas informações cadastradas que se dá a avaliação do pregoeiro. Esse procedimento é indispensável para assegurar a seriedade e a firmeza das propostas levadas ao certame.

Tal assertiva pauta-se no art. 4º, VII, da Lei nº 10.520/02, que estabelece a regra de que, no pregão, a regularidade das propostas no que tange aos requisitos mínimos estabelecidos no edital para o objeto licitado deve ser avaliada antes da etapa de lances. Com isso, somente participam da etapa competitiva do pregão os licitantes que ofertam soluções capazes de atender à demanda da Administração.

Sobre o assunto, o Tribunal de Contas da União já determinou a uma de suas jurisdicionadas que “adote providências para que as licitações na modalidade pregão observem as regras estabelecidas no art. 4º da Lei nº 10.520/02, especialmente em relação à verificação de conformidade das propostas com os requisitos estabelecidos no instrumento convocatório antes da fase de lances, promovendo as devidas desclassificações de candidatos” (Acórdão n° 688/2003 – Plenário – destacamos).

Nesta linha, o Manual do Fornecedor do Comprasnet, por exemplo, apresenta a seguinte orientação acerca do envio de preços propostos, modelo e descrição para formulação:

“Passos:
• Selecionar o item para o qual deseja enviar uma proposta. Para ver a descrição detalhada do item, basta pousar o cursor sobre a descrição;
(…)
• No caso de pregão de material, o fornecedor deve, obrigatoriamente, informar a marca do produto ofertado;
• O fornecedor pode registrar no campo descrição informações complementares referente ao seu produto;
• Antes do envio da proposta, deve ser marcado campo de declaração de concordância com os termos e condições do pregão. Observe que é possível formular proposta de preços para um ou mais itens num único envio;
• Após preenchimento dos dados requeridos, o fornecedor deve clicar no botão incluir para efetivar o envio da proposta.” (Brasil. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação. Pregão eletrônico: manual do fornecedor / Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação. – Brasília: MP, 2005. – disponível em http://www.comprasgovernamentais.gov.br/governo/publicacoes/manuais)

Ainda, vale citar ainda o art. 427, da Código Civil e o art. 54, § 1º, da Lei nº 8.666/93, dos quais retira-se que a proposta elaborada pelo licitante possui força vinculatória, e que a sua alteração e/ou entrega de bem diferente daquela, em regra, é vedada. Portanto, o particular vencedor do certame vincula-se a fornecer o objeto de modelo e marca indicados na proposta. Apenas em situações bastante excepcionais é que se admite que o particular forneça à Administração bens com características (marca e/ou modelo) distintas daquelas originalmente indicadas em sua proposta.

Sobre o tema, há anotação na LeiAnotada.com, com resumo de entendimento do TCU:
“Contratação pública – Pregão – Licitação – Pregão – Proposta – Alteração após a fase de lances – Ilegalidade – Aplicação de penalidade ao agente – TCU
“1. A aceitação de proposta contendo alteração na forma de cotação do insumo vale-transporte, após a fase de lances, com sua substituição pela prestação de transporte próprio contratado, não admitida no edital, quando muitas outras empresas foram desclassificadas exatamente porque suas propostas estavam em desacordo com o edital, atenta contra os princípios da isonomia, da vinculação ao instrumento convocatório e da moralidade. 2. Na busca da proposta mais vantajosa para a Administração não se pode relegar a um segundo plano os princípios básicos do procedimento licitatório e da Administração Pública. 3. A conduta dos agentes públicos deve atentar para o disposto na regra legal e nas condições do ato convocatório, devendo todos os licitantes receber tratamento idêntico. 4. A escolha da proposta mais vantajosa deve ser apurada segundo os critérios objetivos definidos no edital e não com base na escolha dos julgadores em considerar válida a proposta pela própria vantagem que ela traria para a Administração”. (TCU, Acórdão nº 683/2009, Plenário, Rel. Augusto Sherman Cavalcanti, DOU de 09.04.2009.)” (MENDES, Renato Geraldo. LeiAnotada.com. Lei nº 10.520/02, nota ao art. 4º, inciso IX, categoria Tribunais de Contas. Disponível em . Acesso em 25 ago. 2014.)

Obrigada pela participação em nosso Blog!

Manuela.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezado Rodrigo, obrigada por participar do nosso Blog!

Sobre o relato, num primeiro momento, deve-se compreender que, uma vez descrito o objeto adequadamente no edital, compete aos licitantes formularem suas propostas de modo a delinearem solução compatível com o que foi exigido pela Administração e definirem o valor que pretendem receber pelo adimplemento da obrigação. Ou seja, a proposta apresentada pelo particular deve contemplar a descrição do objeto ofertado, com todas as suas exigências e especificações e o preço cobrado e o pregoeiro deve julgar as propostas dos licitantes tanto em relação ao descritivo do objeto como ao preço.

Sobre isso, o entendimento sustentado pelo Tribunal de Contas da União no Acórdão nº 539/2007 – Plenário:
“Sumário – REPRESENTAÇÃO. LICITAÇÃO. IMPROPRIEDADES NA CONDUÇÃO DO CERTAME. DETERMINAÇÕES.
1. Cabe, no pregão, a verificação da conformidade das propostas com os requisitos estabelecidos no edital logo após a sua abertura, antes da fase de lances, devendo-se desclassificar aquelas que apresentem falhas relevantes mediante decisão motivada do pregoeiro.”

Portanto, se não houve o preenchimento das condições impostas pela Administração (seja porque as suas características não eram compatíveis, seja porque a proposta era omissa em relação ao objeto ofertado), a regra seria pela desclassificação da proposta.

O afastamento dessa regra apenas seria admitido em situações excepcionais, avaliadas à luz do princípio do formalismo moderado, que se relaciona diretamente com os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da finalidade. Por força disso, a existência de uma falha não significa necessariamente a falta de validade do ato em que ela esteja presente, devendo-se para tanto ponderar a intensidade dos efeitos provocados por ela. É nesse ambiente que vale separar as falhas formais das falhas materiais.

As falhas formais são aquelas que, embora representem erros ou omissões quanto ao cumprimento de exigências constantes dos editais de licitação, não prejudicam o seu conteúdo. Tratam-se, pois, de meras irregularidades de forma, insuscetíveis de gerar a inabilitação ou desclassificação do interessado, ou até mesmo de comprometer a validade da licitação, dado que a essência/conteúdo/finalidade da exigência é demonstrada por outros meios. Já as falhas materiais, por sua vez, impactam diretamente no conteúdo do ato e do documento, impedindo que ele gere os efeitos desejados.

Assim, compete ao pregoeiro avaliar se as falhas das propostas eram passíveis ou não de esclarecimento via diligência. Isso porque, a depender da natureza da falha, nada impediria que a Administração, identificando a impropriedade no momento oportuno, realizasse diligência a fim de solucionar a questão, conforme possibilita o art. 43, § 3°, da Lei de Licitações.

Inclusive, o Tribunal de Contas da União assim se manifestou no Acórdão nº 1170/2013-Plenário, divulgado no Informativo de Jurisprudência daquela Corte:

“4. É indevida a desclassificação de licitantes em razão da ausência de informações na proposta que possam ser supridas pela diligência prevista no art. 43, § 3º, da Lei de Licitações.

Representação contra o Pregão Eletrônico 4/2012 realizado pela Diretoria do Pessoal Civil da Marinha (DPCvM) para registro de preços de equipamentos de microfilmagem apontou, entre outras irregularidades, a “ausência de apresentação, pela vencedora do certame, da descrição completa do objeto ofertado, ante a omissão do modelo do equipamento”. Segundo a representante, “com a omissão do modelo …, a equipe técnica da DPCvM não teria condições de saber se o equipamento ofertado preenchia os requisitos e exigências mínimas do termo de referência do Pregão 4/2012″. Argumentou ainda que a diligência prevista no art. 43, § 3º, da Lei 8.666/1993 não se mostra cabível em algumas situações, “…ante o elevado número de informações faltantes nas propostas …, comprometendo a análise acerca do produto ofertado e do atendimento às condições exigidas no edital”. A relatora, ao endossar as conclusões da unidade técnica, destacou que os documentos acostados aos autos “comprovaram que o equipamento entregue pela empresa Scansystem Ltda. atendeu as especificações técnicas previstas no termo de referência …”. Acrescentou que “não há qualquer ilegalidade na diligência realizada pela pregoeira para esclarecer o modelo de equipamento ofertado pela Scansystem Ltda. Por um lado, porque a licitante apresentou sua proposta com as informações requeridas no edital …, e, por outro, porque o ato da pregoeira objetivou complementar a instrução do processo, e não coletar informação que ali deveria constar originalmente”. Mencionou que a jurisprudência deste Tribunal é clara em condenar a desclassificação de licitantes em virtude da ausência de informações que possam ser supridas pela diligência prevista no art. 43, § 3º, da Lei de Licitações. Concluiu, por fim, que não houve prejuízo à competitividade decorrente da ausência de registro do modelo cotado pela vencedora do certame. “Cada licitante concorre com seu próprio equipamento e fornece os lances que considera justos para a venda de seu produto. O conhecimento do produto do concorrente possibilita o controle da verificação do atendimento das condições editalícias, fato que se tornou possível com a diligência realizada pela pregoeira”. Acompanhando o voto da relatora, o Plenário julgou a representação improcedente. Acórdão 1170/2013-Plenário, TC 007.501/2013-7, relatora Ministra Ana Arraes, 15.5.2013.”

Vê-se, então, que a questão é delicada e depende diretamente das particularidades de cada caso concreto. Em se tratando de falhas materiais, que obstam o julgamento objetivo e isonômico do conteúdo das propostas, a regra seria pela desclassificação. Em se tratando de falhas formais, passíveis de confirmação via diligência, seria admitido o saneamento.

Manuela.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezados, como o particular que participa de um certame deve proceder quando ele duvida de um atestado de capacidade técnica apresentado por outro licitante?

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezado Maurício,
Se o licitante tem dúvidas em relação ao atendimento de requisitos de habilitação por outro licitante, possivelmente habilitado, poderá recorrer do ato que o habilitou.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 
ANGELA MARIA OLIVEIRA SOARES disse: 21 de setembro de 2015 às 14:49

Prezada Manuela,

Boa tarde.

Indago se o licitante, conhecendo as regras do edital, e que uma delas exige que a proposta seja apresentada na forma impressa e em mídia magnética (CD), apresentou somente a versão impressa, pode ser suprida a falha por meio de diligências, incluindo-se o CD contendo a proposta em mídia magnética.

Muito obrigada.

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
+1 1 voto
 

Prezada Angela,
Nesse caso é importante considerar que a situação representa uma falha. Mas reconhecer a existência da falha, por sua vez, não significa que em toda e qualquer situação os documentos em que elas sejam identificadas perderão a sua validade. Tudo dependerá da intensidade dos efeitos provocados pela falha. É nesse ambiente que vale separar as falhas formais das falhas materiais.
As falhas formais são aquelas que, embora representem erros ou omissões quanto ao cumprimento de exigências constantes dos editais de licitação, não prejudicam o seu conteúdo. Tratam-se, pois, de meras irregularidades de forma, insuscetíveis de gerar a inabilitação ou desclassificação do interessado, ou até mesmo de comprometer a validade da licitação, dado que a essência/conteúdo/finalidade da exigência é demonstrada por outros meios.
Já as falhas materiais, por sua vez, impactam diretamente no conteúdo do ato e do documetno, impedindo que ele gere os efeitos desejados.
As falhas ditas formais, por não prejudicarem o conteúdo do documento/ato, podem ser saneadas ou esclarecidas pela Administração. Consequentemente, poderão ser relevadas, não podendo, pois, gerar a inabilitação do interessado ou a desclassificação da sua proposta. Situação distinta se passa com as falhas materiais. Nesse caso, o licitante deverá ser inabilitado ou ter a sua proposta desclassificada, variando conforme o momento em que se identificar o vício.
Inclusive, a jurisprudência do TCU, tomado como referência, vem reconhecendo que falhas formais devem ser saneadas ao invés de resultar no afastamento de licitantes:
“Analisando este argumento, a Serur afirmou que o recorrente ora chama a irregularidade acima descrita de erro material, ora de erro formal. Enquanto a falha formal pode ser sanada, a falha material não, pois se constitui em defeito insanável. Uma falha formal cometida pela Administração pode ser corrigida ou relevada, sem que o ato ou manifestação devam ser anulados ou tidos por ilegais (…). (Acórdão 206/2007 Plenário – Relatório do Ministro Relator)”

Em vista disso, cumpre a Administração avaliar se a falha ocorrida caracteriza-se como formal ou material para deliberar pela consequência que ela trará ao certame.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
+1 1 voto
 

Boa tarde, qual o entendimento da Zênite com relação à não apresentação de certidão de regularidade fiscal ou trabalhista? Esclarecendo, na situação em que o licitante não apresenta a prova de regularidade, todavia, a certidão pode ser retirada pela internet, a qualquer tempo e por qualquer pessoa, diretamente do site do órgão responsável para emissão da certidão, comprovando a situação de regularidade do licitante. Neste caso, a emissão da certidão pelo pregoeiro pode ser entendida como realização de diligência?

Obrigada.

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezada sra. Lídia,

Atualmente, tem-se demandado que a análise dos documentos habilitatórios seja norteada pelos princípios da ampla competição, da vantajosidade, da razoabilidade, do formalismo moderado, da busca pela verdade material. Nesse passo, entende-se possível promover consulta na internet para avaliar a regularidade fiscal e trabalhista do licitante, ainda que ele não tenha juntado as certidões correspondentes em seu envelope. Nesse sentido, a Zênite publicou a Pergunta e Resposta veiculada na Revista Zênite – Informativo de Licitações e Contratos (ILC) nº 232, jun/2013, p. 629.

Obrigada pela sua participação.

Manuela.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezada Manuela

Um licitante apresentou uma declaração informando que um profissional Xx está registrado em um determinado Conselho Profissional, o que não fica subentendido que o profissional está quite financeiramente perante o conselho.
Neste caso para complementar a informação apresentada pelo licitante pode ser feita uma diligência junto ao Conselho questionando se o profissional está quite com a anuidade, como também a data da quitação a fim de saber se na data da apresentação da declaração o profissional se encontrava quite.
O meu entendimento está correto?

VA:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Prezada Luciene,
Entendo que a situação deve ser avaliada com um pouco mais de cautela. Primeiro, há tendência da jurisprudência e dos órgãos de controle em entender inadequada a exigência de comprovação de quitação junto aos conselhos de classe. Segundo, eventual pendência financeira do profissional pode não ser suficiente para determinar a irregularidade da sua atuação, uma vez que, a rigor, a suspensão do registro do profissional não ocorre imediatamente à constatação do inadimplemento da anuidade.
Assim, se não houver dúvidas quanto ao fato de estar ativo o registro do profissional, não haveria razão para diligência nesse sentido. De todo modo, eventual diligência versaria sobre estar ou não ativo o registro, e não sobre a quitação propriamente dita junto ao conselho.
Obrigada por participar do Blog da Zênite.
Atenciosamente,
Manuela.

VN:F [1.9.22_1171]
O que achou?
0 0 votos
 

Próximos Seminários Zênite
Publicidade